De volta ao IMECC, agora como professor

De Fortaleza a Campinas, passando por uma experiência de pesquisa na França, João Victor Bastos de Freitas, novo docente do Departamento de Estatística, compartilha um pouco de sua história e suas pesquisas


 

Voltar a um lugar conhecido pode ganhar um significado especial quando o papel que se ocupa nele muda. Para o professor João Victor Bastos de Freitas, a chegada ao Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC) como docente representa esse reencontro: depois de realizar o mestrado e o doutorado na UNICAMP, ele retorna ao Instituto para dar continuidade à carreira acadêmica.

“Estou muito feliz de retornar ao IMECC, mas agora como docente”, conta João Victor. A frase resume não apenas a satisfação com a nova etapa profissional, mas também a relação construída com o Instituto ao longo dos anos.

Mas essa história começa bem longe de Campinas, em Fortaleza, no Ceará, onde o professor nasceu e cresceu. E, embora a Estatística tenha se tornado o centro de sua carreira, o caminho até ela começou com uma afinidade que muitos estudantes conhecem bem: o gosto pela Matemática.


 

Uma escolha que começou na graduação

Durante a época de escola, a Matemática era sua disciplina preferida. O bom desempenho na área, porém, não significava necessariamente que o futuro já estivesse definido. A escolha pela Estatística surgiu a partir de uma conversa com um amigo que havia cursado uma disciplina optativa de Probabilidade e Estatística e recomendou a graduação.

João Victor decidiu seguir a sugestão e ingressou no bacharelado em Estatística da Universidade Federal do Ceará (UFC), no Departamento de Estatística e Matemática Aplicada. A adaptação ao curso foi positiva, e a graduação abriu caminho para uma trajetória que, pouco a pouco, aproximaria o interesse pelos números da vontade de ensinar e produzir conhecimento.

O reconhecimento pelo desempenho acadêmico veio ainda nessa etapa: ao concluir a graduação, recebeu o título Magna Cum Laude, distinção concedida em reconhecimento ao destaque de sua trajetória como estudante.


 

 

Campinas: de estudante de pós-graduação a docente

A possibilidade de seguir carreira no ensino superior já despertava seu interesse desde a graduação. João Victor conta que sempre admirou a figura do professor e via o ensino como uma alternativa profissional. Foi durante a pós-graduação, no entanto, que descobriu também o gosto pela pesquisa.

“Durante os estudos de Pós-Graduação fui descobrindo que também gostava de pesquisar”, relata. A combinação entre essas duas atividades fez com que a carreira de professor universitário se tornasse seu principal plano profissional.

Foi nesse contexto que Campinas entrou de vez em sua história. Ao final da graduação, seu orientador recomendou o IMECC, destacando especialmente a qualidade da pós-graduação. A experiência como estudante confirmou o interesse inicial: além de gostar de morar na cidade e da estrutura oferecida pela universidade, João Victor encontrou no Instituto pesquisadores que trabalhavam em áreas relacionadas aos temas de sua dissertação e tese.

Ele cursou o mestrado e o doutorado em Estatística no Departamento de Estatística da UNICAMP. Nesse período, também teve a oportunidade de ampliar sua formação internacional por meio de um estágio de pesquisa de seis meses na CentraleSupélec, vinculada à Université Paris-Saclay, na França. Mais recentemente, realizou estágio de pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP).

Ao longo desse percurso, também acumulou reconhecimentos importantes. Um deles foi o primeiro lugar no Concurso de Melhor Tese de Doutorado, durante a 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Biometria (RBras) e o 21º Simpósio de Estatística Aplicada à Experimentação Agronômica (SEAGRO), eventos nacionais de grande relevância da área de Estatística.

Monitorias, aulas, produção científica e participação em congressos também contribuíram para consolidar sua escolha profissional. Agora, depois de percorrer esse caminho como estudante e pesquisador, João Victor retorna ao Instituto para compartilhar conhecimentos e participar da formação de novos estudantes.


 

Estatística para compreender fenômenos reais

Atualmente, João Victor trabalha em duas grandes áreas: a análise de dados longitudinais e a análise de séries temporais.

Na análise de dados longitudinais, as observações são coletadas repetidamente de um mesmo indivíduo ao longo de um estudo. Isso acontece, por exemplo, quando pesquisadores acompanham a evolução de pessoas, características ou indicadores ao longo do tempo. Como as observações de um mesmo indivíduo tendem a estar relacionadas, os métodos estatísticos precisam considerar essa dependência.

O interesse do professor está especialmente no desenvolvimento de metodologias para situações em que os dados fogem às condições mais usuais, como conjuntos assimétricos, com valores extremos ou restritos a determinados intervalos. “O meu objetivo é que estas novas ferramentas metodológicas sirvam para analisar estudos reais com maior precisão, trazendo resultados novos para áreas como a saúde, a psicometria e as ciências ambientais, ajudando também a informar e melhorar a implementação de políticas públicas”, conta.

A segunda frente de pesquisa envolve as séries temporais, formadas por observações registradas em sequência cronológica, como dados diários, semanais ou mensais. Esse tipo de informação é importante para investigar tendências, compreender mudanças e identificar relações que se desenvolvem ao longo do tempo.

Nessa área, João Victor pesquisa diferentes métodos estatísticos, incluindo estimadores de funções baseados em ondaletas (wavelets), testes de hipóteses de cointegração, estimação de cópulas e técnicas robustas para lidar com observações atípicas e ruídos extremos.

Esses estudos têm aplicações, por exemplo, na análise de dados do mercado financeiro. O desenvolvimento de métodos mais adequados pode ajudar a identificar tendências de curto e longo prazo, compreender relações entre ativos e produzir projeções mais confiáveis mesmo em cenários de grande volatilidade.


 

Fora da universidade, tempo para outros interesses

A vida acadêmica envolve aulas, reuniões, artigos e pesquisa, mas João Victor também valoriza os momentos de descanso e as atividades que permitem explorar interesses fora do ambiente profissional.

Em seu tempo livre, gosta de jogar videogame, ir ao cinema e cozinhar. São atividades que, segundo ele, proporcionam descontração e ajudam a diversificar a rotina.


 

Boas-vindas ao IMECC!

Agora, como professor do IMECC, João Victor retorna a um ambiente que já conhece, trazendo novos conhecimentos e perspectivas para contribuir com as atividades de ensino, pesquisa e com a vida acadêmica do Instituto.

O IMECC agradece ao professor João Victor por compartilhar um pouco de sua história e deseja a ele boas-vindas à equipe! Que este novo ciclo seja repleto de realizações, descobertas e parcerias, fortalecendo ainda mais os laços com a comunidade do Instituto.

 


Redação: Isabel Pennafirme (Comunicação IMECC)

Fotos: Comunicação IMECC

Publicado em: 26 de outubro de 2026