Simulação de variáveis aleatórias com os métodos de Inversão e Rejeição

Ferramentas
Simulação

Veja a implementação dos métodos de Rejeição e Inversão em Julia, ferramentas poderosas para a simulação de variáveis aleatórias de diversas distribuições de probabilidade..

Autor
Afiliação

Universidade Estadual de Campinas

Data de Publicação

12 de fevereiro de 2026

Introdução

Em muitos problemas de Estatística e Simulação, surge a necessidade de gerar amostras de distribuições de probabilidade que não estão diretamente implementadas em pacotes prontos. Nesse contexto, os métodos da Inversão e da Rejeição são ferramentas fundamentais, pois permitem construir algoritmos simples e eficientes para esse fim.

Neste post apresentaremos ambos os métodos e daremos exemplos de implementação ideias para pegar e usar.

Método da Inversão

Em primeiro lugar, vamos carregar os pacotes que serão utilizados:

using Distributions
using StatsPlots

O Método da Inversão consiste, basicamente, em aplicar a inversa da função de distribuição acumulada sobre uma amostra de variáveis aleatórias uniformes. Mais detalhes podem ser encontrados neste link.

Podemos definir uma função amostra_inversao() que automatize esse processo. Essa função recebe como argumentos:

  • n: Tamanho da amostra desejada;
  • inv_acumulada: Inversa da função de distribuição acumulada da distribuição de interesse.
function amostra_inversao(n, inv_acumulada)
  return amostras = inv_acumulada.(rand(Uniform(0,1), n))
end
amostra_inversao (generic function with 1 method)

Para exemplificar, vamos obter uma amostra de tamanho 1000 da distribuição Exponencial(2). Basta definirmos a inversa da sua acumulada e utilizar a função criada:

inv_exp(x) = log(1 - x)/(-2);
amostras_exponencial = amostra_inversao(1000, inv_exp)
1000-element Vector{Float64}:
 0.10958052633658569
 0.3038986782761542
 0.08416682257348482
 0.4381907035348812
 1.0969371316937164
 0.6072312043079744
 0.118471919336901
 0.03558144905376841
 0.1509515914104659
 0.6001284102064999
 ⋮
 0.4740903178379953
 1.329502683393576
 0.14433891697081855
 0.02905249059351756
 0.48905931230844873
 0.31445968912852185
 0.14785648710441324
 0.24442204341489482
 0.22303800519606262

Para verificar que de fato obtivemos uma amostra da distribuição correta, podemos comparar o histograma das amostras com a densidade teórica:

densidade_exponencial(x) = 2*exp(-2*x);
x = range(0, maximum(amostras_exponencial), length = 1000);
histogram(amostras_exponencial, normalize=:pdf, label= "Amostra")

plot!(x, densidade_exponencial.(x), color=:red, label= "Distribuição")

Método da Rejeição

O Método da Rejeição consiste em escolher uma distribuição auxiliar cuja densidade (\(g(x)\)), multiplicada por uma constante C, seja sempre maior ou igual à densidade da distribuição de interesse(\(f(x)\)), ou seja \(f(x) \leq C g(x)\). Uma explicação detalhada pode ser encontrada neste link.

Podemos definir uma função amostra_rejeicao() para esse procedimento. Ela recebe os seguintes argumentos:

  • n: Tamanho da amostra desejada;
  • f: Densidade da distribuição de interesse;
  • g: Densidade da distribuição auxiliar;
  • amostra_g: Função que gera uma observação da distribuição auxiliar;
  • C: Constante a ser utilizada.
function amostra_rejeicao(n, f, g, amostra_g, C)
  amostras = Vector{Float64}(undef, n)
  n_amostras = 1
  while n_amostras <= n
    Y = amostra_g()
    U = rand()
    if U <= f(Y)/(C*g(Y))
      amostras[n_amostras] = Y
      n_amostras = n_amostras + 1
    end
  end
  return amostras
end
amostra_rejeicao (generic function with 1 method)

Para exemplificar, vamos obter uma amostra de tamanho 1000 da distribuição Beta(2,2) utilizando como distribuição auxiliar a Uniforme(0,1). Após fazer as contas, a constante \(C\) necessária é 3/2.

\(C = \displaystyle max_{0\leq x \leq 1} \dfrac{f(x)}{g(x)} = max_{0\leq x \leq 1} 6 \times (x - x^2) / 1\). O ponto de máximo acontece em \(x = 1/2\) e f(1/2)/g(1/2) = 3/2.

densidade_beta(x) = 6*(x - x^2); #Beta(2, 2)
densidade_beta (generic function with 1 method)
densidade_uniforme(x) = 1;
amostras_beta = amostra_rejeicao(1000, densidade_beta, densidade_uniforme, rand, 3/2)
1000-element Vector{Float64}:
 0.8344925646578637
 0.44345410693797926
 0.23917481329007884
 0.39602128377093615
 0.3131681285562632
 0.5106289471365721
 0.20778147741126596
 0.12812501894364714
 0.16740639775048127
 0.24695283209487606
 ⋮
 0.5748206240713413
 0.769496481950965
 0.17298356892581912
 0.8390260551076713
 0.06266677805035281
 0.19907331558052865
 0.26931214713329965
 0.31938161245457597
 0.5228802738210188

Assim como no caso anterior, para verificar que de fato obtivemos uma amostra da distribuição correta, podemos comparar o histograma das amostras com a densidade teórica:

x = range(0, 1, length = 1000)
0.0:0.001001001001001001:1.0
histogram(amostras_beta, normalize=:pdf, label= "Amostra")

plot!(x, densidade_beta.(x), color=:red, label= "Distribuição")

Conclusão

Os métodos da Inversão e da Rejeição são estratégias fundamentais para gerar amostras de distribuições arbitrárias quando não dispomos de funções prontas em pacotes estatísticos. Portanto, com essas implementações, passamos a ter ferramentas práticas e flexíveis para simulação, reforçando o poder do Julia como linguagem para Estatística Computacional.

Nota

Ferramentas de IA foram utilizadas para correção ortográfica e aprimoramento do texto.