Entre os dias 18 e 22 de agosto, Belém do Pará foi palco da 2ª Semana Nacional de Iniciação Científica (II SENIC-SBM), realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA). O evento é organizado, anualmente, pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP).
Criada com o objetivo de reunir os melhores estudantes de Iniciação Científica em Matemática do Brasil, a SENIC-SBM busca oferecer a esses alunos um ambiente acadêmico inspirador e de alto nível, estimulando sua formação científica e incentivando a continuidade dos estudos em programas de pós-graduação na área.
A II SENIC-SBM reuniu jovens talentos da matemática de todo o país, promovendo palestras, minicursos, apresentações orais, pôsteres e debates sobre formação acadêmica e carreira científica.
Um dos destaques da edição foi a entrega do Prêmio Hildebrando Munhoz Rodrigues de Iniciação Científica, que reconhece a excelência dos melhores trabalhos apresentados. Na categoria ouro, o prêmio foi conquistado por Izabella Calais Fernandes, de 24 anos, aluna do bacharelado em Matemática do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC-UNICAMP).
Criado em homenagem ao professor emérito Hildebrando Munhoz Rodrigues (1943–2023), pesquisador de destaque e primeiro mestre titulado pelo ICMC-USP, o prêmio reconhece a excelência de trabalhos apresentados durante a SENIC. O professor atuou como chefe de departamento, diretor do ICMC e coordenador do programa de pós-graduação em Matemática, deixando um legado acadêmico de grande relevância.
O trabalho premiado
Sob orientação do professor Tiago Jardim da Fonseca, Calais desenvolve pesquisas em Teoria dos Números e Geometria Algébrica. O tema apresentado na II SENIC-SBM abordou a conexão entre o problema dos números congruentes (um dos problemas em aberto mais antigos da matemática) e a Conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer (BSD).
“Escolhi abordar a relação entre o problema dos números congruentes e a conjectura BSD por considerá-la extremamente instigante. Compreender como ele pode ser provado por meio de uma conjectura tão robusta e atual torna o caminho via curvas elípticas especialmente interessante de investigar”, explicou a estudante.
Mais que um prêmio: uma comprovação pessoal
Para Calais, o reconhecimento tem um valor que vai além da premiação. “Não sou a melhor aluna quando se trata de provas e notas, mas reconheço que consigo comunicar muito bem o que estudo por meio de seminários. Receber esse prêmio é um indicativo de que estou no caminho certo. Apesar dos tropeços e frustrações, amo fazer matemática e me dedicar às pesquisas que desenvolvo na minha iniciação científica”, afirmou.
A importância da Iniciação Científica
Ao destacar o impacto da premiação, a estudante reforça a relevância da Iniciação Científica (IC) como porta de entrada para a carreira acadêmica. “Esse reconhecimento é um grande incentivo. Não falo apenas pelo prêmio em si, mas por poder participar de um evento que valoriza os estudantes e apoia essa primeira etapa da minha formação como pesquisadora. Isso me faz sentir reconhecida e parte da comunidade que, no futuro, será composta por novos professores e pesquisadores da matemática”, contou.
Um conselho para novos estudantes
A jovem pesquisadora também deixa uma mensagem para quem ingressa nos cursos de Matemática e deseja seguir carreira acadêmica:
“Assim que possível, façam uma iniciação científica! O curso pode ser desgastante, e acredito que a parte mais divertida dele é justamente a IC, porque ela ajuda a manter vivo o brilho e a vontade de estudar matemática por gosto. A graduação é um período de descobertas, e também de erros. Nem sempre você vai tão bem quanto gostaria em uma prova ou disciplina, mas isso não define o seu potencial.”
Ainda, Calais ressalta: “Aproveitem para experimentar diferentes áreas: façam mais de uma IC, explorem os temas que despertam curiosidade e descubram, aos poucos, qual caminho dentro da matemática mais inspira vocês. Sempre que possível, participem de eventos e congressos, e se aventurem em tudo o que a faculdade pode proporcionar fora do ambiente de sala de aula e das provas. Assim, vocês podem descobrir habilidades que talvez nem imaginassem ter, e que serão tão relevantes para sua formação quanto o desempenho acadêmico em si.”
Por: Isabel Pennafirme Ferreira